me and you...just ok, just fine.


olha que de culpa eu entendo. acho que eu e todas as mulheres entendemos bem de culpa, somos criadas para tê-la e guardá-la para nós. pergunte a qualquer mulher qual é o maior peso que ela carrega, a maioria começará a resposta com: "a culpa de...", troque as reticências por: excesso de peso, não ser boa mãe, profissional, mulher, pessoa etc.
e é tão raro aquelas que conseguem realmente livrarem-se de suas culpas! eu demorei anos, anos inteiros para começar a me aceitar como eu sou. para começar a deixar de me encucar com o tamanho do meu corpo, com o tamanho de minhas unhas, com o meu cabelo, com o fato de precisar trabalhar e não poder dar atenção integral à minha filha. demorei um ano inteiro para entender que o meu casamento não deu certo porque não era realmente um casamento e que não há culpa, em nada disso. o que há são os meus pensamentos de culpa e eu decidi trabalhá-los e tem funcionado para mim. porque já faz uma semana e meia que eu não sei o que é ter raiva e que faço as coisas porque gosto e isso tem me feito diferente.
passei por muita coisa nesse último ano. decidi ser feliz agora. decidi aceitar as coisas que eu posso e quero mudar, decidi fazer os meus gostos e ser feliz com eles, assim posso fazer feliz a quem eu gosto e gosta de mim também.

change your heart, look around you

resolvi voltar a escrever aqui. havia parado porque tinha que pôr ordem na minha vida, nos meus sentimentos e, para ser o mais honesta possível, incomodava-me saber que determinados "alguéns" liam o que eu postava e aferiam coisas que estavam muito aquém da verdade.
mas quer saber? isso pouco me importa hoje. porque eu mudei. finalmente, essa mudança se tornou tão sólida que eu não posso mais ignorá-la, não posso mais enfiar a cabeça na terra e fingir que o mundo parou, que eu parei, porque né? o mundo não para.
quero sons novos na minha vida, cores novas, pessoas novas e conhecimentos novos. chegou a hora de me aceitar e melhorar quem sou, não importa mais o que passou, o que ainda não aconteceu. o que importa é o agora.
é bom encontrar o meu lugar nesse mundo que quero para mim. é bom encontrar o lugar das pessoas que amo. é bom fazer o que eu gosto de novo.

[ouvindo: boy meets girl, bleu]

only a test for a time

sobrevivi. ao meu passado, principalmente. e a mim mesma.
e também à morte, por enquanto.

é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

interessante notar como mudei nas pequenas coisas. aprendi com os anos de terapia a autoanalisar. respeito muito mais os meus silêncios, as minhas necessidades. aprendi, mesmo que tardiamente, que não preciso mais agradar aos outros. e nessa semana, reconheci o lugar do mundo que me deixa mais feliz e autoconfiante e estou rezando para que tudo dê efetivamente certo.
é como se a vida fosse em slow motion e isso não fosse ruim, pela primeira vez. gosto de como os dias se desenrolam. gosto de ter essa paz. gosto de saber que minha cabeça e meu coração estão funcionando compassadamente. gosto de saber que tenho amigos. gosto de saber que nos últimos meses gastei muito, mas muito pouco do meu tempo brigando com Deus e o mundo. e nossa, como isso faz diferença na minha disposição geral.
claro que ainda há coisas para consertar, como por exemplo, o setor relacionamentos. e isso depende só de mim. aprendi que relacionamentos existem quando as duas pessoas querem na mesma intensidade, por mais óbvio que isso seja. e eu não posso mais arcar com a indecisão alheia, quando a minha já está plenamente resolvida.

meu projeto é eliminar pessoas e situações cansativas na minha vida.

when you give half of you

365. uma volta do sol. tanto caminho percorrido. uma via de lágrimas. um fim sem ter sido. dia após dia. a rotina que se estabelece. o vazio na cama. o silêncio. todas as palavras dias. o que não foi e que nunca será. o meu desejo. o seu. o meu corpo. o seu. não nosso. lentamente. de repente. acabou. assim. não dá mais. 2002. foi lá. arrastou-se. um fim que começou desde o começo. como todos. doeu. mas não doem todos os fins? aqueles que não são felizes, certamente. é. simples. doloroso. e depois? a gente segue. a gente tenta. a gente vive. a gente pensa que ama. e ama. a si. aos outros. porque seguir é isso. mesmo que falte. mesmo que doa. mesmo que se queira voltar. ao que não é mais o mesmo. ainda bem. não aguentaria. que doam dores novas. que venham melhores erros. que o amor exista de fato e de direito. porque o tenho, o Amor. e foi assim a nossa história. que não começou. uma história de segundas chances que não eram de verdade. amar é de pŕimeira. é na primeira. não tem segundo grande amor. tudo começa agora. com a perspectiva de. é uma vida que começa. adulta. passamos por nossa adolescência.

could you say goodbye to yesterday?

eu jurei para mim mesma que era nunca mais. caí na imensa besteira que é o nunca. enfim. coração indo e vindo novamente, isso me deixa louca porque não é algo que eu quero conscientemente.

***


My best friend gave me the best advice
he said each day’s a gift & not a given right
leave no stone unturned
leave your fears behind
& try to take the path less travelled by
that first step you take is the longest stride

if today was your last day
& tomorrow was too late
could you say goodbye to yesterday?
would you leave each moment like your last?
leave old pictures in the past?
donate every dime you had?
if today was your last day


Against the grain should be a way of life
what’s worth the price is always worth the fight
every second counts ‘cause
there’s no second try
so live like you’re never livin twice
don’t take the free ride in your own life

if today was your last day
& tomorrow was too late
could you say goodbye to yesterday?
would you leave each moment like your last?
leave old pictures in the past?
donate every dime you had?
would you call those friends you’ve never seen?
reminisce old memories?
would you forgive your enemies?
would you find that one your dreaming of?
swear up & down to God above
that you’ll finally fall in love?
if today was your last day

if today was your last day
would you make it up by mending a broken heart
you know it’s never too late
to shoot for the stars
regardless of who you are
so do whatever it takes
‘cause you can’t rewind
a moment in this life
let nothing stand in your way
cause the hands of time are never on your side

if today was your last day
& tomorrow was too late
could you say goodbye to yesterday?
would you leave each moment like your last?
leave old pictures in the past?
donate every dime you had?
would you call those friends you’ve never seen?
reminisce old memories?
would you forgive your enemies?
would you find that one your dreaming of?
swear up & down to God above
that you’ll finally fall in love?
if today was your last day


(Nickelback)

***

vontade imensa de chorar todos os #mimimis do mundo.

***

o dia foi estranho e bom.

when we could be alive instead

"I hope that I can say
The things I wish I'd said
To sing my soul to sleep
And take me back to bed
You want to be alone
When we could be alive instead
"
(acquiesce, oasis)


vontade de rir. porque estou verdadeiramente feliz. porque eu não posso reclamar do que tenho recebido da vida nesse último ano. tão bom dividir as coisas com os amigos e vê-los sorrirem por mim e para mim. saber que eu sou capaz é importante, sobretudo quando é sabido que sou um posso de insegurança, aliás, estou superando isso.
ah, e nunca mais desdenho da cultura pop.

you don't know what you're missing

olha, eu poderia falar sobre o fato de que daqui 10 dias fazer um ano. eu poderia falar sobre o quanto certas coisas que estão acontecendo me deixarem so excited, eu poderia falar o quanto estou feliz esses dias. o quanto a minha sexta-feira foi especial. do quanto me senti idiota por ter machucado o pé de um modo tão estúpido. eu poderia falar que estou relendo harry potter e que estou crochetando algo para a filhota. poderia falar do quanto teria sido bom. e do quanto foi realmente ruim. e do quanto me ensinou sobre mim mesma e sobre os meus limites. eu poderia falar que hoje eu sorrio mais e nem tenho mais medo de terminar meus dias sozinha, porque eu sei que não irei. eu não me sinto mais sozinha. e foi isso que realmente mudou.
e ter feito a grande descoberta do mês, levou-me a outras descobertas. uma me desagradou bastante, mas como eu sempre disse: as pessoas melhoram ou pioram dentro daquilo que elas já são.

e no meio disso tudo, essa música em especial, não me saiu da cabeça:

He's a real Nowhere Man
Sitting in his nowhere land
Making all his nowhere plans for nobody.

Doesn't have a point of view
Knows not where he's going to
Isn't he a bit like you and me?

Nowhere man, please listen
You don't know what you're missing
Nowhere man, the world is at your command.

He's as blind as he can be
Just sees what he wants to see
Nowhere man can you see me at all?


Nowhere man, don't worry
Take your time, don't hurry
Leave it all till somebody else lends you a hand [...]

(nowhere man, the beatles)

e o que me resta? viver a vida. redescobrir prazeres insondáveis, como andar sem bengala por exemplo e não ter precisado mais dela nenhum único instante nesse um ano que passou. ter emagrecido mais dez quilos. ter minhas unhas religiosamente feitas. voltar a ler livros como se isso fosse uma religião. interessar-me novamente pelas coisas, pelas cores e pelas pessoas. passar momentos divertidos com a minha família, assistir a filmes com minha filha. dançar twist and shout com ela no meio do quarto sem medo de parecer rídicula e amar de novo e amar mais. a mim mesma e os outros também.

c'est la vie et jusqu'ici tout va bien.

[ouvindo: think for yourself, the beatles]

nem tudo que parece ser é o que é.

o mais legal das pessoas acharem que você é louca e idiota é que isso lhe dá uma certa liberdade para agir e saber das coisas, de modo totalmente inocente. porque se as pessoas pensam mesmo que você é idiota, por que diabos você se daria ao trabalho de mostrar a elas que você não é?

estou me contorcendo de tanto rir aqui. a descoberta do ano. juro.

once upon a time


então. sete anos de sambambaia. começou no weblogger que eu nem sei se existe mais. começou no ano em que minha vida mudou por completo pela primeira vez. no ano em que perdi alguém que realmente amava, todos que eu perdi antes eu não amava, não realmente.
e foi no ano que conheci Harry Potter e isso eu devo à pior pessoa que existiu na minha vida, depois do meu pai. para eu ver que até mesmo o pior tem algo de melhor com ele. graças a essa pessoa, que deixou o primeiro livro da saga abandonado em cima da mesa da casa em que dividíamos, eu travei contato com essa personagem que mudou a minha vida e me fez mais feliz. porque eu fui realmente mais feliz lendo os livros de Harry Potter, apaixonei-me por eles, chorei e sorri, lamentei muitas coisas e dei graças por tantas outras e é com pesar que me deparei com o último livro da série e é com ansiedade e um pouco de tristeza que assistirei ao antepenúltimo filme. porque marcou a minha vida. enfim, é parte de mim.
assim como o sambambaia. escrevo não para ser popular, foi-se o tempo em que esse blogue era muito visitado e relevante para alguém além de mim, hoje, como alguém bem disse é só um diarinho mimimi da minha vidinha sem grandes emoções. aqui registrei os períodos mais turbulentos da minha depressão, todo o meu sentimento pelo d., o nascimento da minha filha, o término da faculdade. através dele conheci pessoas que eu amo muito e que talvez nem sabem disso, conheci mulheres inteligentíssimas que admiro e nas quais me espelho, fiz parte da sociedade dos poetas tortos, toda uma vida nas páginas desse blogue, uma vida que é minha.
e qual não foi a minha surpresa ao ver textos meus plagiados por @malvadas (perfil do twitter)? textos de 2003, textos que fazem referência ao d. e tudo o que eu sentia por ele, textos da fase mais negra da minha depressão, descrições minhas. achei bem patético porque nem eu mesma me copiaria em sã consciência. minha escrita é mediocre (plagiar a Fal te dá algum estatus, porque a Fal é a pessoa escritora no meu planeta), meus sentimentos são atabalhoados e eu tenho muita vergonha do que escrevi em 2003, porque nada daquilo faz sentido hoje. eu não sou mais aquela que morria de amores e sofria por isso. hoje eu não morro por nada, tenho uma filha para criar e nem posso me dar ao luxo de pensar como seria divino se eu dormisse por bem mais do que oito horas. então é patético mesmo alguém copiar o que escrevi e não dar os devidos créditos, mas enfim, cada um sabe o tamanho da sua pequenez e do quanto precisa viver à sombra dos demais.
houve um tempo que eu me preocuparia demais com o que as pessoas pensam ou deixam de pensar de mim. houve um tempo em que eu choraria cada vez que recebesse alguma crítica negativa. hoje convivo melhor com isso. sei que há pessoas que me odeiam. o que eu posso fazer? nada. absolutamente nada. só garantir-lhes que continuarei existindo. e quanto a isso eu não posso fazer nada.

E:

Don’t let the Muggles get you down!


*imagem daqui